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A prática de mindfulness, introduzida na década de setenta no tratamento da dor crônica, foi aprimorada na forma de um programa de 10 semanas de redução do estresse.
Pesquisas com esse programa indicam que a prática dessa forma de meditação facilita uma atenção desapegada ou uma observação distanciada que favorece um desacoplamento entre o sinal de dor e a resposta neurológica e afetiva de alarme que normalmente conecta a dor ao sofrimento. Observou-se que o distanciamento psicológico adquirido na prática de meditação tem um papel central nesse processo: além de diminuir o nível de dor relatado, o programa também levou a reduções significativas de transtornos de humor e de sintomas psiquiátricos que acompanham a dor crônica.
Foi demonstrado que o mindfulness liberta a atenção dos efeitos da linguagem avaliativa que, no dia a dia, muitas vezes, acompanha automaticamente os processos de observação e atenção. Esta libertação possibilita que cada indivíduo tome consciência, sem julgamento, de seus pensamentos, sentimentos e sensações. Esse desligamento do contexto cognitivo pode ser descrito metaforicamente como “dar passos para trás para poder observar pensamentos como pensamentos e nada mais”. É uma habilidade metacognitiva, na qual o indivíduo observa sua própria atividade de observar, sentir e pensar, e é um componente essencial da capacidade de enfrentar, de forma harmoniosa, eventos estressantes do cotidiano.
A prática de mindfulness permite que se entenda que as estórias que contamos a nós mesmos sobre quem somos, o que precisamos, o que merecemos ou o que temos que fazer não são nada mais que pensamentos, e não representações efetivas da realidade. Ao distanciar-se das narrativas socialmente construídas com as quais a pessoa se identifica, ela pode enxergar mais claramente o que é realmente importante na sua vida, assim adquire mais flexibilidade e mais capacidade de experimentar diferentes perspectivas sobre o mesmo evento.
Em 2014, Williams e Cano, ao estudarem o traço de mindfulness em casais em que um dos parceiros tinha dor crônica, descobriram que os cônjuges que participavam da vida do paciente sem julgamento e sem reatividade se mostraram menos punitivos nas interações conjugais. Assim sendo, o mindfulness ajuda o paciente e a sua família a promoverem mais aceitação da dor, interpretações mais benignas dos comportamentos relacionados à dor e mais respostas empáticas a ela, sendo assim um acréscimo válido no tratamento da dor crônica.
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