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O desenvolvimento clínico da toxina botulínica começou no final da década de 1960 com a busca por uma alternativa ao realinhamento cirúrgico do estrabismo. Naquela época, a única opção terapêutica disponível era a operação dos músculos extraoculares. No início da década de 1980, Scott et.al. já utilizavam a toxina botulínica para tratar estrabismo, contração involuntária espasmódica da pálpebra, espasmo hemifacial, distonia cervical e espasmo de adutores de coxa.

As toxinas botulínicas são produtos biológicos, visto que contêm uma proteína sintetizada pelo micro-organismo Clostridium Botulinum. Existem diferentes toxinas botulínicas, resultando em diferenças nas unidades de potência biológica, sua formulação, eficácia, perfil de segurança e perfil imunológico.

Atualmente na América Latina existem 5 (cinco) tipos de toxina botulínica do tipo A, e por serem produtos biológicos, não podem ser comparadas e suas unidades não são intercambiáveis.

Trata-se de um agente bloqueador neuromuscular, o que significa que causa paralisia do músculo na qual é injetada porque impede a liberação da acetilcolina, uma importante substância para o funcionamento dos nervos motores terminais. Sem a ação do nervo, ocorre uma redução temporária da atividade muscular; o músculo se recupera quando o nervo se regenera. No caso de secreção excessiva de suor (hiperidrose), a toxina reduz a produção de suor pelo bloqueio das fibras nervosas que controlam as glândulas sudoríparas (que produzem o suor).

O medicamento está formalmente indicado para o tratamento de contração involuntária espasmódica da pálpebra (blefarospasmo), contrações intensas de origem neurológica dos músculos do pescoço e dos ombros (distonia cervical), espasmo de um dos lados da face (hemifacial), torcicolo espasmódico, contrações espasmódicas do músculo (espasticidade muscular), linhas faciais hiperfuncionais (rugas) e suor excessivo (hiperidrose) palmar e axilar em adultos.  

A toxina botulínica do tipo A é também indicada para o tratamento da espasticidade na deformidade do pé equino dinâmico em paciente pediátrico portador de paralisia cerebral com capacidade de marcha. Pode ser aplicado em pacientes a partir de dois anos de idade apenas por profissionais devidamente capacitados.

Na maior parte dos casos, um efeito significativo do tratamento tem início 7 a 14 dias após a injeção da toxina botulínica; observa-se um efeito máximo dentro de 1 mês, os quais persistem por cerca de 3 a 4 meses. Após injeções repetidas, o tempo de duração dos efeitos pode tornar-se menor, especialmente se o organismo desenvolver anticorpos para a toxina botulínica.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Recomendações de Tratamento Integral da Espasticidade em Adultos, Consenso Latino-Americano de Especialistas, 2ª edição, 2011.

 

Daniel Truong, Dirk Dressler, Mark Hallett, Toxina Botulínica, Manual de Tratamento, 2012.

 

Tratado de Medicina de Reabilitação, Júlia Greve, 2007.

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