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Embora seja uma doença reconhecida há muito tempo, a fibromialgia tem sido seriamente pesquisada somente há três décadas. Pode ser definida como uma síndrome de amplificação dolorosa crônica, caracterizada por dor difusa pelo corpo. Em mais de 80% dos pacientes a dor vem acompanhada de fadiga e de distúrbios do sono e em grande porcentagem dos casos, coexistem a cefaleia, cólon irritável e alterações do humor como ansiedade e depressão.

A amplificação da sensibilidade dolorosa pelo Sistema Nervoso Central (SNC), apesar dos avanços científicos dos últimos anos, ainda permanece com etiologia obscura. Acredita-se que determinados agentes estressores atuem como um gatilho para o desenvolvimento do quadro doloroso crônico, como por exemplo os de natureza psicológica; de natureza infecciosa; de natureza climática; ou de natureza traumática como procedimentos cirúrgicos e acidentes com trauma físico.

A sensibilização central ocorre pela somatória de dois mecanismos:  1) Atenuação das vias da dor inibitórias descendentes e 2) Favorecimento das vias facilitadoras da dor ascendentes. Esse desequilíbrio manifesta-se por alodinia (dor ao leve toque da pele) e hiperalgesia (dor amplificada).

Na imagem a seguir, observa-se que, na presença de equilíbrio entre as vias facilitadoras da dor (pró-nociceptivas) e as vias que combatem a dor (antinociceptivas) a sensibilidade encontra-se dentro dos padrões fisiológicos.

Substâncias como fator de crescimento neuronal (NGF), substância P (SP), aminoácidos excitatórios (EAA), prostaglandinas (PG), glutamato e colecistocinina (CKK) são facilitadoras da dor e quando não encontram a barreira inibitória antinociceptiva, provocam no paciente um aumento da sensibilidade, muitas vezes manifestada pela dor. Substâncias como serotonina (5HT), noradrenalina (NE), dopamina (DA) e opioides endógenos (EO) atuam como bloqueadores da dor, e quando não encontram a devida barreira dos agentes que facilitam a dor, encontramos um quadro de insensibilidade.

Além disso, os receptores de dor do cérebro parecem desenvolver uma espécie de memória da dor e tornam-se mais sensíveis, o que significa que podem reagir exageradamente a sinais de dor.

A predisposição Genética é um fator bem estabelecido, parentes de primeiro grau de pacientes com fibromialgia apresentam um risco até 8 vezes maior de desenvolvê-la.

A Fibromialgia está presente em 0,7% a 5% da população geral do mundo. No Brasil é provavelmente a segunda doença reumatológica mais frequente (2,5%). Ocorre predominante mulheres (8:1) e o pico de incidência está entre os 25 e 65 anos de idade.

A dor associada à Fibromialgia muitas vezes é descrita como uma dor difícil de caracterizar, nem forte nem aguda, que pode ser chamada de dor “cansada” e constante, com duração de pelo menos três meses. Para ser considerada generalizada, a dor deve ocorrer em ambos os lados do corpo e acima e abaixo da cintura.

Pessoas com Fibromialgia muitas vezes despertam cansadas, mesmo que tenham dormido por longos períodos. Muitas vezes o paciente dorme um bom número de horas, mas acorda cansado – é o famoso “sono não reparador”. Muitos pacientes com Fibromialgia têm outros distúrbios do sono, como a síndrome das pernas inquietas e apneia do sono.

Lacunas de memória são sintomas frequentemente vividos pelas pessoas que sofrem de Fibromialgia. Pode incluir perda de memória de fixação, falta de concentração e raciocínio prejudicado, assim como problemas de linguagem, tais como dificuldade para se recordar e falar palavras comuns.

O diagnóstico é essencialmente clínico. Os exames laboratoriais e radiológicos são utilizados para avaliar as condições gerais dos pacientes e para afastar outras doenças causadoras de dor.

Na próxima imagem encontramos em vermelho os Tender Points (TP) descritos de acordo com critérios estabelecidos em 1990, pelo American College of Rheumatology (ACR).

Em 2010, novos critérios para o diagnóstico da Fibromialgia foram elaborados pelo ACR, incluindo o IDD:  ÍNDICE DE DOR DIFUSA, e a EGS:  ESCALA DE GRAVIDADE DOS SINTOMAS, aumentando a sensibilidade do diagnóstico.

Embora não haja cura para a Fibromialgia, o tratamento efetivo é baseado em quatro importantes pilares:

– Educação do paciente

– Atividade física leve a moderada

– Psicoterapia

– Tratamento medicamentoso

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

– Consenso Brasileiro no Tratamento da Fibromialgia, Heymann et al., Rev Bras Reumatol 2010;50(1):56-66.

– Novos conceitos em Fibromialgia, AtualizaDOR – Programa de Educação Médica em Ortopedia.

– Fibromialgia:Princípios práticos que auxiliam na indicação e no ajuste do tratamento medicamentoso, Chakr, R.M. S; Xavier, R.M, JBM NOVEMBRO/DEZEMBRO, 2014 VOL. 102 No 6.

– Dor, Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar da UNIFESP – EPM, Sakata, R.K.; Issy, A. M., 2ª edição.

– Dor, Síndrome Dolorosa Miofascial e Dor musculoesquelética,  Teixeira, Yeng, Kaziyama, 1ª edição.

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