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A mesoterapia é uma técnica terapêutica constituída pela administração de uma mescla variável de medicamentos na camada dérmica da pele, no local da afecção.

Os bons resultados verificados com o método estão provavelmente relacionados a uma alta concentração de medicamentos anti-inflamatórios, anti-edematosos e vasodilatadores por um período prolongado na área afetada.

É uma boa indicação em diversas afecções localizadas do aparelho musculoesquelético em que a eleição seja de tratamento não cirúrgico, como por exemplo nas tendinites e bursites, contraturas musculares, artrose, artrite, dor cervical e dor lombar.

A mesoterapia pode ter um papel adjuvante no alívio dos sintomas de algumas articulações nos pacientes com doenças de comprometimento sistêmico (artrite reumatoide, psoríase artropática) desde que o tratamento sistêmico convencional esteja sendo rigorosamente seguido.

Sua significativa potência e rapidez de resposta terapêutica, além de um nítido aumento da aderência do paciente à reabilitação, colaboraram para que se tornasse o método preferencial de tratamento por muitos ortopedistas e fisiatras ligados ao meio esportivo profissional principalmente da Europa.

Há uma grande vantagem do método nas fases crônicas das doenças ortopédicas e também no tratamento de atletas que necessitam reabilitação precoce para o breve retorno às atividades esportivas. Outra importante vantagem é a de NÃO interferir nos pacientes que apresentam distúrbios gastrointestinais (esofagite, gastrite), doenças do fígado, renais crônicos ou hipertensão arterial sistêmica (pressão alta).

Dessa forma, um universo maior de indivíduos poderia ser tratado com as medicações que compõem as mesclas, como por exemplo, crianças, idosos, hipertensos, diabéticos e renais crônicos.

História

O método mesoterápico foi desenvolvido a partir de 1952 pelo médico francês Michel Pistor. Na época, por acreditar ter efeito apenas nos tecidos originados embriologicamente da mesoderme, ele a denominou Mesoterapia. A partir da experiência clínica em vários países da Europa, o método ganhou credibilidade no meio científico, tendo seu ensino universitário oficializado em 1985.

No Brasil, a técnica começou a ser utilizada em 1991 no Setor de Fisiatria do Hospital Escola São Francisco de Assis, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. O resultado desta prática é uma série de estudos apresentados em congressos médicos e publicados em periódicos científicos nas áreas de Fisiatria, Ortopedia, Reumatologia, Traumatologia Esportiva e Dor.

Técnica

As injeções, realizadas com uma profundidade de 4 a 6 mm, permitem a formação de um depósito medicamentoso na derme reticular, no espaço compreendido entre os plexos capilares superficiais e profundos, o que diminui a velocidade de absorção destes para o meio vascular, permitindo que as injeções sejam feitas com intervalos prolongados. As aplicações em geral são semanais e o número de sessões para se obter um resultado satisfatório são relativamente baixas.

As agulhas de mesoterapia são descartáveis e bastante pequenas. Sendo assim, as punturas realizadas são muito pouco dolorosas. Na foto abaixo observa-se comparativamente a de mesoterapia (base amarela) com as convencionais intramuscular (base cinza) e de punção articular (base rosa).

 

As mesclas de medicamentos são sempre realizadas a fresco, à mostra do paciente, sendo aplicadas logo após sua preparação. Deve-se respeitar criteriosamente as diluições necessárias para cada tipo de patologia e de paciente, além das compatibilidades físico-químicas entre as medicações que compõem uma mesma mescla (salinidade, pH, componentes do veículo, etc.)

Contraindicações

Alergia a algum dos medicamentos é a única contraindicação formal. Sempre notifique seu médico sobre suas hipersensibilidades na primeira consulta. Tanto de substâncias como o iodo ou merthiolate, como de medicamentos tipo sulfas, ácido acetilsalicílico (AAS), dipirona, anti-inflamatórios em geral, anestésicos locais, filtros solares comuns (como Sundown®, Copertone®) devido ao radical PABA – ácido para-amino-benzóico existente em algumas fórmulas.

Eventos Adversos

Eventualmente a região aplicada pode ficar um pouco inchada, avermelhada e/ou sensível. Isto costuma resolver-se em algumas horas ou poucos dias sem qualquer ação adicional.

Como são feitas uma sequência de picadas na pele um pequeno vaso sanguíneo pode ser atingido e eventualmente podem ocorrer equimoses (manchas arroxeadas) que cedem espontaneamente em alguns dias.

Deve-se evitar tomar sol no período das aplicações para que não provoque uma mancha na pele.

Ocasionalmente, o paciente pode experimentar algo como uma “piora” dos sintomas no primeiro dia. Isto é denominado “reação paroxística” e não deve ser motivo de preocupação, pois cedem espontaneamente e não interferem nos efeitos terapêuticos. Avise seu médico e evite colocar gelo ou qualquer outra substância no local, pois a reação pode ficar ainda mais exuberante.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Sergio Lianza, Medicina de Reabilitação, 4ª edição, 2015.

 

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