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Trata-se de um método terapêutico utilizado na Síndrome Dolorosa Miofascial (SDM), causa comum de dor musculoesquelética, sendo identificada em mais de 85% dos pacientes encaminhados para clínicas especializadas no manejo da dor. Pode ocorrer em ambos os sexos, com maior incidência nas pessoas acima dos trinta anos de idade, especialmente nos atletas.

A SDM é caracterizada pela presença de pontos-gatilhos miofasciais (PG) em bandas tensas dos músculos esqueléticos, limitação das amplitudes de movimento, dor referida e respostas contráteis breves durante estimulação mecânica dos pontos gatilho.

A formação do PG é resultante de macro ou micro traumatismos localizados que causam ruptura do retículo sarcoplasmático e liberação de cálcio no sarcoplasma. O cálcio reage com a adenosina trifosfato (ATP) e causa a interação da actina com a miosina e encurtamento do sarcômero, do que resulta o espasmo muscular localizado, chamado de rápida contração das fibras musculares (RCB) ou de “Twitch response”.

A atividade contrátil descontrolada aumenta o consumo energético e diminui a microcirculação local.

O agulhamento seco, também denominado de estimulação intramuscular (EIM), é um procedimento minimamente invasivo descrito por Gunn (1996). Não utiliza nenhum tipo de medicação e consiste no estímulo mecânico do PG com uma agulha de acupuntura, cujo tamanho depende da profundidade do músculo a ser estimulado.

                                                                                                

 

Consiste em uma técnica de acupuntura médica, baseada inteiramente nos princípios de neurofisiologia e neuroanatomia. Envolve múltiplas inserções de uma agulha de acupuntura no PG acometido, pois a intenção não é a de traumatizar o músculo e sim a de melhorar a microcirculação local, com o objetivo de reproduzir os sintomas do paciente, visualizar as RCBs e alcançar o alívio da tensão muscular, a melhora da amplitude de movimentos e da dor. Além de proporcionar relaxamento muscular, estimula o sistema supressor endógeno de dor.

Quando a técnica de agulhamento seco é comparada à técnica de infiltração de diferentes tipos de anestésicos locais, a maior crítica ao uso do agulhamento seco é a alta incidência de dor pós-tratamento pois ocorre um estímulo mecânico no ponto da dor. Isto parece ocorrer em sua maior intensidade nas 24 horas após a terapia e é normalmente contornado com bolsas quentes e exercícios de alongamento, mas pode ser intolerável para alguns e, portanto, um cuidado com a seleção de pacientes é importante. Por não utilizar nenhum tipo de medicação, o agulhamento seco pode ser utilizado em gestantes, lactantes e alérgicos à medicações.

Em seguida mostramos a inserção de agulhas de acupuntura sendo utilizada para a dessensibilização dos segmentos disfuncionais pelo método de estimulação intramuscular – agulhamento seco.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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